sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Perto E Distante

Suas mãos, sua boca e até sua tosse. É o seu jeito de andar e a forma com que você cruza as pernas quando senta. É esse bico que você faz algumas vezes quando engole a cerveja. Cada detalhe.
Corpo repleto de saudade, que pede abraço e implora sussurros no pé do ouvido. Esses olhos que choram por não suportar ver-te tão distante. Mãos que, desesperadas, apertam o travesseiro. Nuca nua, querendo vestir-se com seus dedos.
Espaços vazios em todos os lugares.
Sobra coberta, sobra cama, sobra uma cadeira ao lado e a metade do chocolate.
Lembro-me bem. O sol nascendo enquanto o carro corria. Sofá e colchão na sala, a televisão quase sempre ligada. O programa pouco importava. Improvisar algo pra comer.
Todos os olhares, carinhos e fotos.
Suados, com frio, cansados, sorrindo, andando, molhados, com fome, doentes, tristes, cobertos, com sono, de mãos dadas, chorando, confusos.
Entregaram-se aos desejos. Um desejava aquela noite, e o outro desejava aquela e muitas outras.