Sentada aqui no mesmo lugar de sempre, me lembro de outro dia, em que eu também estava sentada aqui. Quando eu pedia sua ajuda para aliviar o mal que você mesmo me causava.
Hoje, sentada aqui, no mesmo lugar daquele outro dia, não preciso mais de você e não me alimento mais das suas crueldades.
Sentada, sozinha. Sozinha não!
Cheia de mim.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Diagnóstico
Não precisamos de um diagnóstico para saber que precisamos de ajuda, não precisamos chorar a todo momento (mesmo que às vezes seja exatamente isso que esteja acontecendo) para percebermos que algo está errado, não precisamos estar presos num quarto à semanas (mesmo que essa seja nossa vontade por várias vezes) para compreender que sozinho não vai dar pra lutar. E com certeza, não precisamos esperar o ponto em que alguém nos carregue para emergência, podemos ir por conta própria.
Eu sei que é assustador estar deste lado onde nada faz muito sentido, onde muitas coisas acontecem por impulso e fica cada vez mais difícil respirar ou se alimentar. Eu sei o quão a ansiedade pode assumir o controle e tirar pedaços do que a gente costumava ser, muitas vezes leva também nossa vontade de construir algo, de conhecer alguém, de cumprir compromissos e de estudar.
Sentir tonturas, fraqueza, falta de ar, batedeira, angústia, medo e acabar por vomitar não te faz menos humano, menos merecedor de momentos bons, menos "normal", e é preciso assumir que essas coisas estão acontecendo, dar atenção à isso e se tratar, apenas desabafar com um amigo é válido mas não é o suficiente.
Repito, não é necessário um diagnóstico pra começarmos cuidar de nós mesmos. Não é, de forma alguma, necessário apresentar uma CID pra estar enfermo. Meu pedido é que você lute, já adianto que pode durar a vida toda, mas vale a pena começar enxergar a si mesmo com outros olhos, vale a pena ultrapassar certas barreiras e lá na frente enxergar que as coisas não são tão assustadoras quanto parecem agora.
Eu sei que é assustador estar deste lado onde nada faz muito sentido, onde muitas coisas acontecem por impulso e fica cada vez mais difícil respirar ou se alimentar. Eu sei o quão a ansiedade pode assumir o controle e tirar pedaços do que a gente costumava ser, muitas vezes leva também nossa vontade de construir algo, de conhecer alguém, de cumprir compromissos e de estudar.
Sentir tonturas, fraqueza, falta de ar, batedeira, angústia, medo e acabar por vomitar não te faz menos humano, menos merecedor de momentos bons, menos "normal", e é preciso assumir que essas coisas estão acontecendo, dar atenção à isso e se tratar, apenas desabafar com um amigo é válido mas não é o suficiente.
Repito, não é necessário um diagnóstico pra começarmos cuidar de nós mesmos. Não é, de forma alguma, necessário apresentar uma CID pra estar enfermo. Meu pedido é que você lute, já adianto que pode durar a vida toda, mas vale a pena começar enxergar a si mesmo com outros olhos, vale a pena ultrapassar certas barreiras e lá na frente enxergar que as coisas não são tão assustadoras quanto parecem agora.
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Discrepância do Destino
O problema é que depois a diferença será gritante. Eu vou lembrar do seu sorriso, do copo d'água que me deu e do seu rosto no espelho. A cor da toalha eu provavelmente não lembre, mas seu jeito rápido de se vestir eu com certeza lembrarei. Eu vou guardar diálogos e relembra-los até que esqueça como você me olhou. O problema é que vou super-valorizar. E quando eu achar que esqueci, algo me lembrará. E quando eu achar que esqueci, vou notar que o vinho na geladeira é igual ao que nós dividimos. O problema é como tudo vai diferir. As pessoa vão apontar, com razão, que eu só falo de você. Queria mesmo era falar com você. Esse texto eu provavelmente não lhe envie ou mostre, então se estiver lendo ou me ouvindo ler nesse momento: dê uma risada pra me acalmar. Eu vou querer ser mais que só mais uma, eu vou pedir reciprocidade com o coração nas mãos. Eu vou querer transformar as coisas em coisas nossas, e no fim serão coisas da minha cabeça, esse é o problema.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Luna Antonieta
Eu me lembro como se fosse hoje da ansiedade que eu estava, pronta pra ela chegar, comprei uma gaiola para abriga-la e não via a hora de olhar nos seus olhinhos e dar-lhe um nome. Me lembro perfeitamente da minha animação ao comprar um bebedouro rosa e um potinho pra comida. Era a primeira vez que um animalzinho iria ficar inteiramente sob minha responsabilidade, eu tinha medo de machuca-la, medo que ela passasse fome, calor ou frio. Olhei diretamente naqueles olhinhos e naquelas patinhas, Luna Antonieta, esse seria o nome sem dúvidas, o que eu não sabia até ali é que ela se tornaria uma parte tão grande de mim, é que ela me encheria de alegria depois de um dia cansativo, é que ela seria forte até o final por mim. As primeiras noites eu queria jogar a Luna pela janela de madrugada, de tanto barulho que ela fazia, e nas primeiras vezes que ela escapou da gaiola? Eu me desesperava, com o tempo fui conhecendo a filha que eu tinha, e quando ela sumia era só tirar a gaveta do guarda-roupas, ela com certeza estaria lá bagunçando tudo. Todos achavam minha pequena ratinha muito fofa e carinhosa, e eu lhes digo: se eu tivesse que defini-la em uma só palavra, seria força. Depois de alimenta-la dia pós dia, vê-la crescer, dar carinho, montar piscinas, adequar a temperatura do ambiente, descobrir a fruta preferida e ter tido a melhor companhia (que roeu várias coisas minhas incluindo meu travesseiro) eu me vi totalmente perdida com a Luna doente nas mãos, e completamente nocauteada quando o veterinário disse que era um câncer raro. Rara era ela, ora. Eu quis por vários dias que a minha pequenina sobrevivesse, e de fato por dias ela sobreviveu com muita força (e muitos remédios)... Ela esperou o meu tempo, até que eu estivesse pronta pra liberta-la, obrigada Luna! Mas depois do cansaço mutuo daquele tratamento horrível, eu entendi que não bastava sobreviver, peguei ela no colo e disse que estava tudo bem, que ela podia descansar e não precisava mais ficar aqui por mim. Eu sabia que tinha chegado a hora, eu sentia e não queria tira-la do meu colo por nada nesse mundo. Fiz uma oração em meio à lagrimas, pra que ela tivesse uma passagem em paz pro outro mundo, pouco tempo depois seus olhinhos que sempre foram tão brilhosos, não me diziam mais nada. Pequena Luna, era tão minha e eu tão dela, e por vezes o mundo foi só eu e ela. Cessou a dor. Dela. Ela que foi minha e de mim levou grande pedaço. Eu que estou em pedaços, todos dela.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
Atestado De Óbito
Eu conheço essa cor amarelada de pele. Eu conheço os hematomas e os sintomas. Eu sei muito mais do que queria saber sobre essa doença. Eu conheço os vômitos, os possíveis tratamentos e os gritos. Eu conheço a dificuldade de comer e a restrição alimentar dessa maldita doença. Eu conheço a força que a gente tira sei lá da onde pra fingir que não é tão grave assim, força essa que segura nossas lágrimas e nos deixa chorar escondidinho num canto do hospital mais tarde. Vi mais do que queria sobre a fraqueza e a incapacidade. Descobri que o tratamento enlouquece e que a paciência de quem cuida ultrapassa limites. Eu vi a morte usar o câncer como canal pra chegar até meu grande guerreiro, que com pele amarelada, peso quase inferior ao meu e sinais de tratamento pelo corpo fechou seus olhos e não abriu nunca mais.
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