quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Luna Antonieta

Eu me lembro como se fosse hoje da ansiedade que eu estava, pronta pra ela chegar, comprei uma gaiola para abriga-la e não via a hora de olhar nos seus olhinhos e dar-lhe um nome. Me lembro perfeitamente da minha animação ao comprar um bebedouro rosa e um potinho pra comida. Era a primeira vez que um animalzinho iria ficar inteiramente sob minha responsabilidade, eu tinha medo de machuca-la, medo que ela passasse fome, calor ou frio. Olhei diretamente naqueles olhinhos e naquelas patinhas, Luna Antonieta, esse seria o nome sem dúvidas, o que eu não sabia até ali é que ela se tornaria uma parte tão grande de mim, é que ela me encheria de alegria depois de um dia cansativo, é que ela seria forte até o final por mim. As primeiras noites eu queria jogar a Luna pela janela de madrugada, de tanto barulho que ela fazia, e nas primeiras vezes que ela escapou da gaiola? Eu me desesperava, com o tempo fui conhecendo a filha que eu tinha, e quando ela sumia era só tirar a gaveta do guarda-roupas, ela com certeza estaria lá bagunçando tudo. Todos achavam minha pequena ratinha muito fofa e carinhosa, e eu lhes digo: se eu tivesse que defini-la em uma só palavra, seria força. Depois de alimenta-la dia pós dia, vê-la crescer, dar carinho, montar piscinas, adequar a temperatura do ambiente, descobrir a fruta preferida e ter tido a melhor companhia (que roeu várias coisas minhas incluindo meu travesseiro) eu me vi totalmente perdida com a Luna doente nas mãos, e completamente nocauteada quando o veterinário disse que era um câncer raro. Rara era ela, ora. Eu quis por vários dias que a minha pequenina sobrevivesse, e de fato por dias ela sobreviveu com muita força (e muitos remédios)... Ela esperou o meu tempo, até que eu estivesse pronta pra liberta-la, obrigada Luna! Mas depois do cansaço mutuo daquele tratamento horrível, eu entendi que não bastava sobreviver, peguei ela no colo e disse que estava tudo bem, que ela podia descansar e não precisava mais ficar aqui por mim. Eu sabia que tinha chegado a hora, eu sentia e não queria tira-la do meu colo por nada nesse mundo. Fiz uma oração em meio à lagrimas, pra que ela tivesse uma passagem em paz pro outro mundo, pouco tempo depois seus olhinhos que sempre foram tão brilhosos, não me diziam mais nada. Pequena Luna, era tão minha e eu tão dela, e por vezes o mundo foi só eu e ela. Cessou a dor. Dela. Ela que foi minha e de mim levou grande pedaço. Eu que estou em pedaços, todos dela.

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