sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Somethings Never Sleep

Além de todas as outras coisas você me deu saudade. Não uma saudade normal, uma saudade eterna e profunda. Uma falta enorme que sei lá como aumenta a cada dia que passa.
Não é só como se eu quisesse que você estivesse aqui, é como se eu sentisse que você deveria estar aqui, como se nada mais tivesse funcionado direito.
Aparentemente a ideia de viver sem você tornou-se suportável, pelo menos eu tenho suportado há dois anos. Talvez ver alguém que se ama partindo pra sempre seja isso, suportar o insuportável. Ou aumentar os próprios limites.
As palavras sobre isso fogem cada vez mais, e o resultado é sempre o silêncio. O vazio. O mesmo vazio que inunda tua casa empoeirada.
E além da saudade, você me deu o medo da perda. O medo da partida. O medo do fim. O medo do próximo passo. O medo de doenças. Ou foi sua doença que me deu tudo isso?
Eu estive doente de medo. Eu entrei em pânico e rezei.
Certa manhã eu acordei com o barulho do cortador de grama ligado, dei um pulo até minha janela pra te ver, meu coração só faltava sair pela boca e eu estonteantemente feliz pensava "foi só um pesadelo". Mas como cena de filme, meus olhos fitaram o cortador e quando olhei mais acima quem estava cortando a grama não era você, foi como se eu estivesse recebendo a notícia da sua morte outra vez.
Por várias vezes eu recebi a notícia novamente, até hoje me sinto naquela maldita ligação sempre que estou em situações as quais eu espero te ver. Situações que eu ainda espero por você. Mais do que gostaria que você estivesse lá, são situações que você deveria estar. Entende?
Imagine-se na escola, naquele dia em que seu responsável esqueceu de te buscar e a moça do portão te acalma dizendo que "é só um atraso e já já vão te buscar". Quando me contaram que te perdi foi mais ou menos assim, o medo de ser deixada, de nunca mais ver alguém ou de que nada mais pudesse ser igual... Entretanto, foi como se a moça do portão tivesse dito "ele nunca mais vai te buscar" e ainda tivesse completado com "se você morrer e der sorte de ir pro mesmo lugar que ele, bom, aí você pode vê-lo novamente". E sinceramente? Eu nem precisava desse incentivo pra desejar a morte, saber que você não estaria aqui já era o suficiente pra não querer estar aqui também.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Mas Com Amor É Mais Caro

Da vontade de dizer "vou sentir sua falta" o tempo todo, mas acho que não é legal ser repetitivo assim, então a gente controla a boca e acaba falando com o olhar.
Nossos olhos conversam por horas a fio, contam todos os segredos da alma sem que a gente deixe, fazem todas as declarações que guardamos a sete chaves. Meus olhos gritam e repetem: vou sentir sua falta.
Dizer "tchau" sem saber quando te verei novamente é como se por alguns minutos me enfiassem a cabeça em baixo d'água, me falta ar, me faltam palavras. É uma tristeza que se aloja no meu peito e que, quando me dou conta que de outras formas você continua aqui, aí vira saudade e eu finalmente respiro. E nado novamente, 
E é por sentir tanta falta que eu sei que vale a pena esperar.
E eu espero. 
Espero seu sorriso, espero sua sutileza, sua gentileza e suas mãos. 
Traz logo teu cheiro, tua voz e tua cara embriagada.
Vem me apresentar pros seu amigos, perguntar se eu já preciso ir embora e teimar comigo que fantasmas não existem.
Entre milhares de outras palavras a serem ditas, prefiro não me prolongar. Te digo que eu prometo me comportar até você voltar, se você prometer perder a cabeça quando me ver.
O texto não ficou tão bom quanto meu coração imaginava, mas era só pra dizer que estou sentindo sua falta. Não, eu não errei o tempo verbal, é "sentindo" mesmo.