terça-feira, 31 de maio de 2016

Take Your Heart Above The World

Droga de vida!
Estou tendo um péssimo dia, então peço licença pra possíveis exageros e injustiças com aqueles que têm problemas maiores que os meus.
Depois de dias de espera o resultado da bolsa permanência saiu hoje, e como já deve ser de se imaginar pelo começo sugestivo do texto: não, eu não consegui.
Eu não imaginava, mas esse resultado negativo despertou em mim muitas memórias, chorei bastante e pensei muito sobre várias coisas.
Não existe outra opção de bolsa no meu curso, mais que isso, meu curso é visto com péssimos olhos pela sociedade e a profissão como uma inutilidade. Como algo fácil, coisa de quem não sabe o que fazer, de quem não quer estudar. É revoltante saber que damos duro todos os dias em projetos sem remuneração nenhuma, simplesmente por amor ao que fazemos e por hora atividade.
O desânimo toma conta, e uma voz repete sem parar que é melhor trancar o curso e ir trabalhar, trabalhar com algo que tenha um mínimo reconhecimento. A angustia se torna cada vez maior quando paro pra pensar que certa lei que deveria ajudar-nos enquanto artistas, ajuda na verdade ídolos consagrados do povo brasileiro, e que é só mais uma tentativa do Estado de jogar a responsabilidade pela cultura nas costas dos meios privados.
É o meu terceiro fracasso em questão de bolsa, e vou contar um segredo pra vocês: dinheiro faz falta sim.
Preciso de um celular porque o que eu paguei durante um ano foi roubado, simplesmente me abordaram na rua e depois de me agredirem levaram minha bolsa à força. Preciso de um notebook também, porque quando o meu (parcelado em sei lá quantas vezes) por azar quebrou com 6 meses de uso não fui capaz de leva-lo na garantia porque estava em depressão com crises de pânico sendo uma ameba na vida. Por mais fútil que pareça, nas férias meu irmão e meu amigo viajarão para o norte do país, e eu não posso deixar de estampar na minha testa a tristeza que estou de não poder ir junto por questões financeiras.
De pequenas coisas, como comer uma pizza quando der vontade, à grandes coisas como não poder fazer oficinas na minha área, que a vontade de desistir surge.
Mas adivinhem? Ninguém se importa e o que eu mais ouço é "bom, foi o curso que você escolheu, se tivesse escolhido medicina ou alguma licenciatura...".
Me pergunto se um dia conseguirei independência com uma boa qualidade de vida. Se um dia, quem sabe, poderei ter meus tão sonhados filhos e garantir uma vida agradável à eles. Se no próximo semestre poderei continuar pagando a dança, que é o que me da energia pra semana. Se terei dinheiro pra pagar os materiais para as atividades das aulas práticas. Se um dia poderia voltar a fazer terapia no psicólogo que fiz por tantos anos. E mais, se eu não tiver dinheiro pra essas coisas, como reagirei.
A vontade é deitar e não sentir mais nada. Não ouvir as batidas do meu coração. Não perceber minha respiração. Não me preocupar com mais nada, não querer nada. Não ver se quer estrelas, só merecem estrelas aqueles que se dispõem a ver o mundo todo. Que sumam meus ossos e que minha existência seja apagada da memória das pessoas. Que não sobre pele, carne, sangue e nem rastros.
E se sumir não for possível, que o universo continue dando à mim e à tantas outras pessoas a força pra lutar pela arte.

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