São bilhões de pessoas no mundo, todas elas pra eu conhecer, segundo outras pessoas. E aí, eu me pergunto, se na linha de possibilidades todas elas podem se apaixonar por mim, por que não você? Me deixa enfeitar teus dias e conhecer tua cama, abre a porta pra mim.
Do meu coração ninguém é dono, isso é fato, mas existem tantos inquilinos felizes só de estarem passando uma temporada por aqui, enquanto pra ti dei vista pro meu mar de boas intenções, me diga nego por que tu continua insistindo em morar do outro lado da ponte? Longe daqui.
E às vezes, quando estou quase entregando as chaves do teu apartamento, você cruza a ponte, entra no meu mundo sem pedir licença (você sabe que eu deixo, eu sempre deixo) faz sala, toma um café e antes que os biscoitos fiquem prontos posso ver sua juba distante, partindo. Fica leãozinho.
Olhar difícil de decifrar combinado com um andar que marcha estilo, dessa vez eu vou ignorar, dessa vez você vai passar e eu nem sequer vou olhar, vou manter meu corpo virado e sorrir pro primeiro que encontrar. Só pra não te ver, pra não te tragar. É feriado e meu coração tá fechado, nem que chova enquanto você bate na porta, não vou abrir.
Se por acaso eu aparecer do seu lado, foi mera coincidência. Eu nem sabia que você viria, não te vi entrando no fumódromo e não senti o coração acelerando quando pensei te ver indo embora. Sem me dar tchau. Não que eu me importe. Eu não me importo.
Rapaz, eu costumo correr e acelerar até levantar voo, tô taxiando só pra te esperar, fingindo que a última chamada não aconteceu e que não, você não trocou de voo... Você só ta atrasado. Mas vai chegar, colocar o cinto e voar comigo, não precisa nem ouvir as instruções: prometo que a aeronave não vai cair no mar ou se quer haver despressurização.
Nenhum comentário:
Postar um comentário